18.2.10

 

 

 Em conversa com duas amigas, discutíamos o modo como de deve dar uma má notícia a uma criança. Elas eram de opinião que se deveria ocultar o mais possível, para que a criança não sofra. Eu não concordei, porque acho que as crianças devem ser preparadas para o bem e o mal que a vida nos reserva.

Sofia, Cascais

   

A leitora tem toda a razão. Perante uma má notícia, os pais não devem tentar enganar as crianças, mentindo ou fazendo de conta que nada aconteceu. Os pequeninos são muito mais perspicazes do que os adultos imaginam, e vão rapidamente aperceber-se que há algo de errado e sentir que foram enganados. Assim, perante uma situação desagradável, há que ver quem está mais capaz para falar com a criança. É preciso que seja uma conversa em tom calmo e que o adulto consiga ter paciência para explicar a situação, transmitindo segurança. Estabelecer um diálogo franco, mas adequado à idade é meio caminho para que não hajam traumas no futuro. Certamente que a criança irá fazer perguntas. Então há que esclarecê-la o melhor possível, não entrando em pormenores mórbidos, no caso de se tratar de uma morte ou de uma doença grave, por exemplo. A verdade tem de ser doseada e adaptada à idade, sem que isto signifique que se minta. Os mais pequenos têm uma enorme capacidade de adaptação a situações novas, mesmo que penosas. Para além disso, é preciso ter presente que a frustração e a dor fazem parte da vida de qualquer ser humano, e os mais pequenos precisam, desde cedo, aprender a lidar com isso. Proteger em demasia só provoca uma sensação de fragilidade e de impotência que não é benéfica, já que uma criança superprotegida está condenada a ser um adulto frágil e imaturo.
link do postPor psicologiacriancaeadolescente, às 14:22  comentar

 



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Drª Teresa Paula Marques
Licenciada em Psicologia Clínica (ISPA), Mestre em Psicopatologia e Psicologia Clínica (ISPA), Pós-graduada em Avaliação Psicológica em Contexto Escolar (FPCEUL), Psicoterapeuta Breve (SPPB), Doutoranda em Psicologia da Educação (FPCEUL).
Exerce Psicologia Clínica há quase duas décadas.

Actualmente é responsável pelo Serviço de Psicologia de um Externato em Lisboa e docente da cadeira de Psicologia do Desenvolvimento na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, no curso de Enfermagem.
Paralelamente atende crianças e adolescentes no consultório privado e é autora de 4 livros sobre Psicologia Infantil e do Adolescente. Já foi psicóloga residente em programas de televisão e mantém colaborações regulares com diversos jornais e revistas.
Actualmente responsável pelo consultório "FILHOS" na revista TvMais (periodicidade quinzenal)

Para saber locais de consultório aceda ao site: www.teresapaulamarques.com blog : http://teresapaulamarques.zip.net
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