9.9.09

 

 

 
Tenho um filho com 19 anos. Ele sempre se deu muito com raparigas, mas nunca lhe conheci uma namorada. Há uma semana revelou-me que é homossexual. Ele afirmou-me que é feliz, mas eu fiquei de rastos, não sei como agir perante isto, porque sempre pensei em ter netos, ou seja, que ele viesse a ter uma vida normal.
Lucinda P. (Lisboa)
 
O mundo mudou, assim como se alterou o tipo de relacionamento entre pais e filhos, professores e alunos. Estas mudanças colocaram à tona, novidades que sempre existiram mas que antes ficam encobertas.
  
Em algumas famílias, as mudanças sociais melhoraram o convívio, noutras trouxeram mais riscos para os filhos, principalmente adolescentes e, por conseguinte, maiores preocupações aos pais. De entre as mudanças mais sentidas, situam-se as questões que se prendem com a orientação sexual dos jovens.
 
Se por um lado, as mudanças sociais apontam para uma maior tolerância e um menor preconceito ao lidar com essa questão, por outro ainda existe algum constrangimento ao abordá-la.
 
Certo é que para os pais, a revelação da homossexualidade de um filho é sempre um momento difícil. Primeiro, porque quem tem filhos tem sempre uma série de expectativas e constrói inconscientemente um determinado “guião” de vida para eles.
  
Quando um filho revela a sua homossexualidade, uma parte dos sonhos dos pais é destruída. Claro que isto implica sofrimento, tanto para os pais quanto para os filhos.
 
Não se pode ignorar também o sofrimento do(a) jovem. Muitas vezes o momento da revelação resulta de um já longo caminho percorrido, pleno de emoções, sentimentos e frustrações.
 
Assim sendo, peça ao seu filho para lhe dar um tempo. Primeiro, é importante enfrentar o seu próprio preconceito, e isso é um percurso que se faz diariamente. Pouco a pouco, a situação ficará mais clara e será então possível aceitá-la de uma maneira natural.
  
Para além disso, há que ter presente que a felicidade do seu filho se deve sobrepor a tudo, mesmo aos preconceitos. Se ele afirma estar feliz, se pensa ter encontrado o seu caminho, então não lhe resta outra alternativa (enquanto mãe), que apoiá-lo e acarinhá-lo mesmo que a vida lhe tenha reservado um futuro não esperado.
 
link do postPor psicologiacriancaeadolescente, às 15:51  comentar

De Miguel Pereira a 5 de Junho de 2010 às 23:00
Boa noite Lucinda P.

Dar-lhe-ia a sugestão de visitar este site www.rea.pt.
Já estive na mesma situação e infelizmente a minha reacção foi bastanse pior que a sua. Entendo a angustia, a frustração, o medo, os preconceitos e a vergonha toda que está a sentir. Felizmente consegui aprender bastante nos ultimos tempos e a convivencia com outros pais de filhos homossexuais tambem foi bastante produtiva. Espero sinceramente que consiga ultrapassar tudo isto da melhor forma e não se esqueça acima de tudo que o seu filho estará neste momento a experenciar grande angustia dentro si. tente apoia-lo. :)

um abraço

De mariana a 2 de Maio de 2011 às 21:38
se gostam mesmo dos vossos filhos não deveriam sentir vergonha nenhuma porque uma mãe não deve ter perconceito algum sobre o seu filho porque se assim for não é uma mãe a sério! Vocês mães pensam que estão a sofrer mas, o vosso filho sofreu decerteza muito mais quando começou a aperceber-se de que era homossexual e o que ele menos precisa é de sofrer por causa da sua mãe que em vez de o apoiar está a magoá-lo e a fazê-lo sofrer ainda mais!

 



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Drª Teresa Paula Marques
Licenciada em Psicologia Clínica (ISPA), Mestre em Psicopatologia e Psicologia Clínica (ISPA), Pós-graduada em Avaliação Psicológica em Contexto Escolar (FPCEUL), Psicoterapeuta Breve (SPPB), Doutoranda em Psicologia da Educação (FPCEUL).
Exerce Psicologia Clínica há quase duas décadas.

Actualmente é responsável pelo Serviço de Psicologia de um Externato em Lisboa e docente da cadeira de Psicologia do Desenvolvimento na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, no curso de Enfermagem.
Paralelamente atende crianças e adolescentes no consultório privado e é autora de 4 livros sobre Psicologia Infantil e do Adolescente. Já foi psicóloga residente em programas de televisão e mantém colaborações regulares com diversos jornais e revistas.
Actualmente responsável pelo consultório "FILHOS" na revista TvMais (periodicidade quinzenal)

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