29.7.09

 

Por volta  dos 11 anos, os jovenzinhos (pré-adolescentes) começam a sentir curiosidade por revistas dirigidas ao público adulto. Perante esse facto, muitos pais facilitam-lhes o acesso, sentindo até algum orgulho e alegria. Consideram que é coisa “de homem”, de “macho”, portanto há que proporcioná-lo. Esses pais têm também, na ponta da língua, o que julgam uma excelente justificativa: dizem, com a maior naturalidade, que caso não lhes comprem ou mostrem a revista,  eles a irão ver de qualquer maneira, na escola ou na casa de amigos.


Claro que é provável que isso venha a acontecer. Mas, para a criança ou para o adolescente, é muito diferente ver uma revista desse tipo (para maiores de 18 anos), à socapa dos pais, do que receber autorização expressa da parte destes. A nível psicológico a distinção é brutal. Trata-se de uma forma de testar os limites, de ir para além daquilo que lhe é permitido e colocar um pezinho no mundo adulto, sem ser descoberto. Obviamente tem outro valor … e outro sabor!


 

No entanto, o certo é que actualmente os pais deixam as revistas á mercê dos filhos menores, ou então compram e oferecem-nas, do mesmo modo que deixam que visione canais televisivos com conteúdos impróprios. Mas por que agem assim?

 

Os motivos são variados, mas podemos ressaltar dois, pelo menos. O primeiro é que proibir os filhos, de fazer ou ter qualquer coisa, é hoje uma tarefa difícil para os pais.

 

Para além disso, remar contra a maré, ou seja, agir de modo diferente da maioria dos outros pais é considerado tarefa ingrata. Os pais dos outros deixam-nos sair até às 4 da manhã, ver filmes para maiores de 18 anos, fumar, estar na Internet sem supervisão … portanto há que alinhar pelas mesmas regras, senão a criança/jovem corre o risco de se sentir diferente, ou de sofrer com um determinado trauma. Puro engano!



Cabe aos pais a tarefa de educarem os filhos que trouxeram a este mundo, com os princípios, os valores, a moral e as virtudes que eles próprios valorizam.


Essas revistas são dirigidas aos adultos por vários motivos. A criança e/ou o adolescente pode não saber ainda lidar com as imagens e estímulos que elas apresentam. Além disso, os pais devem agir de modo coerente com a educação que pretendem dar aos filhos. Ao comprar uma revista dirigida a maiores de 18 anos para crianças ou jovens, estão a transmitir-lhes e mensagem de que as normas sociais podem ser facilmente descartadas, de acordo com razões de interesse pessoal. E essa lição vai ser entendida e generalizada pelos mais pequenos.


O filho vai ter acesso à revista, de qualquer maneira? Pode ser que sim. Mas terá, também a referência segura do que pensam os pais sobre acerca dessa questão e, na verdade, isso é o que mais tem valor.

 

 

link do postPor psicologiacriancaeadolescente, às 00:22  comentar

De Fernando Eduardo Mesquita a 8 de Janeiro de 2010 às 14:04
Parabéns pelo Blog

está muito interessante.

Aproveito para convidar a visitar o meu BLOG:

http://terapiassexuais.blogspot.com

Fernando Eduardo Mesquita
Psicólogo/Sexólogo


 



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Drª Teresa Paula Marques
Licenciada em Psicologia Clínica (ISPA), Mestre em Psicopatologia e Psicologia Clínica (ISPA), Pós-graduada em Avaliação Psicológica em Contexto Escolar (FPCEUL), Psicoterapeuta Breve (SPPB), Doutoranda em Psicologia da Educação (FPCEUL).
Exerce Psicologia Clínica há quase duas décadas.

Actualmente é responsável pelo Serviço de Psicologia de um Externato em Lisboa e docente da cadeira de Psicologia do Desenvolvimento na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, no curso de Enfermagem.
Paralelamente atende crianças e adolescentes no consultório privado e é autora de 4 livros sobre Psicologia Infantil e do Adolescente. Já foi psicóloga residente em programas de televisão e mantém colaborações regulares com diversos jornais e revistas.
Actualmente responsável pelo consultório "FILHOS" na revista TvMais (periodicidade quinzenal)

Para saber locais de consultório aceda ao site: www.teresapaulamarques.com blog : http://teresapaulamarques.zip.net
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